A Simplicidade do Sentir

A necessidade de ter cada vez mais tempo para dar conta do cotidiano cheio de tarefas e a rotina cronometrada, acabamos racionalizando o sentir, que na verdade é tão puro e simplesmente sentir.

E se existe algo independente e incondicional, é o sentir. Apenas e simplesmente se sente.

Intrinsecamente ligado ao instinto, o sentir muitas vezes é negligenciado a segundo plano, sendo tratado como sintoma de imaturidade ou até inocência, já que não usa parâmetros lógicos para justificar suas impressões. E nessa jornada vamos nos habituando a racionalizar o que deveria ser sentido, a contestar os avisos e a se arrepender por não tê-los ouvido.

Nesse ambiente de livre-arbítrio em que vivemos, nossa maior missão e lição é o sentir, vivenciar emoções, sentir visceralmente as sensações físicas, emocionais, espirituais, enfim, uma infinidade de sentires a que somos impelidos desde o útero.

Nossa condição de seres sensoriais e extra-sensoriais, nos faz suscetíveis a diversos fatores, muitos alheios à nossa vontade, permissão e controle, e isso enriquece consideravelmente nosso espírito desbravador que cresce a cada nova experiência vivida nas mais diferentes esferas.

Quando permitimos que apenas o medo seja sentido, que todas as outras emoções sejam subjugadas a ele, perdemos tempo e experiências preciosas nesse espaço de tempo linear em que estamos. Óbvio que temos livre-arbítrio para escolher viver como escravos do medo e perdermos oportunidades de simplesmente sentir, seja o vento no rosto no alto de uma montanha, a agradável sensação de novos sabores ou as sensações físicas e emocionais que uma paixão pode proporcionar.

O medo é uma das emoções mais sentidas, é a antítese do amor, é a ausência da luz, mas rodeada por essa aura magnífica da amorosidade que vem da grande Fonte Divina, basta andar um pouco no escuro, arriscando machucar-se, mas enfrentando seus próprios limites, para alcançar essa luz amorosa que circunda o coração de qualquer medo, e por fim, ao estourar essa bolha que impedia a entrada da luz, ir percebendo que onde havia medo, agora vibra amor e aceitação.

É humano sentir medo, sentir fome, ansiedade, raiva, assim como é igualmente humano desafiar seus limites, transgredir regras genéticas, culturais e lógicas, ousar romper a redoma do medo e permitir que o amor ilumine tudo, transformando dor em crescimento, fome em saciedade, ansiedade em segurança, raiva em perdão e principalmente a compreendermos que como humanos estamos sujeitos a essa seara espantosa de sensações, mas que todas elas se agrupam em dois títulos apenas: AMOR e MEDO.

Cabe a cada um optar se quer viver algemado à pesada âncora do medo ou se quer as asas dadas pelo amor, para que vôe incansável pelas inúmeras sensações, sejam elas sutis ou palpáveis, sejam furacões arrasadores ou cálidos ventos. O que realmente importa é arrebentar os grilhões e exercitar a liberdade das asas que só podem nos levar quando estamos libertos das âncoras.

Andrea Magnoni
terapeuta.magnoni@gmail.com

Outros Artigos: